10 motivos para praticar yoga

10 motivos para praticar yoga (versão original)

Há algumas semanas enviei a algumas pessoas o texto acima com o objetivo de divulgar o yoga e as aulas que ofereço em minha escola. Como muitos textos de divulgação, este também é breve, organizado de maneira direta, sem as minúcias que certos tópicos demandam.

O objetivo deste post é estender cada um dos itens que apresentei nesse texto e clarear eventuais dúvidas que eles podem ter suscitado.

***

1) Ter saúde — Respirar livremente, livrar-se de dores crônicas e regular as taxas do sangue são alguns dos inúmeros benefícios que a prática de yoga pode trazer à sua saúde.

É possível escrever muitos livros sobre este assunto. A yogaterapia, disciplina (ou ciência) que se propõe a tratar e prevenir doenças com base nas técnicas do yoga, baseia-se nesse fato: o yoga realmente previne e cura doenças. Decerto seu efeito nesse sentido varia de pessoa para pessoa, de doença para doença, mas notam-se duas coisas: i) a saúde sempre melhora com o yoga; ii) o praticante desenvolve uma nova consciência em relação à própria saúde.

Nunca é demais lembrar que, assim como um remédio tem uma posologia, contra-indicações e efeitos colaterais, as práticas do yoga também devem ser realizadas de formas específicas. O mau uso das técnicas do yoga pode oferecer riscos, assim como o mau uso de remédios e de práticas terapêuticas. Usadas adequadamente, de preferência sob orientação de um professor, as técnicas do yoga realmente trazem benefícios físicos consistentes e melhoram a saúde.

Caso o leitor ainda tenha dúvidas, vale a pena ler este longo texto do Yoga Journal; nele o autor Timothy McCall lista 38 benefícios à saúde atribuídos ao yoga.

2) Ter o peso e o corpo que você sempre quis — Com a prática do yoga você normaliza seu peso, reforça músculos e articulações e melhora a postura — tudo isso sem equipamentos ou remédios.

Embora os objetivos do yoga não tenham nenhuma relação com fitness, muitas técnicas podem ajudar a perder peso, a definir músculos e a melhorar significativamente a postura. Os asanas e os vinyasas (asanas praticados de forma dinâmica, seqüencial) podem ser muito exigentes fisicamente.

No yoga, um exemplo muito conhecido de prática física exigente é o surya namaskar (saudação ao sol). Existem muitas variações desta seqüência de asanas, algumas mais brandas, outras mais intensas; um bom exemplo pode ser visto aqui.

Além disso, há métodos de Hatha Yoga especializados em certos aspectos físicos da prática de asanas. É o caso do Ashtanga Vinyasa Yoga, que usa vinyasas bastante fortes, e o Iyengar Yoga, cujo foco é o alinhamento e a correção postural. Mesmo nos métodos mais tradicionais, onde se mantém o foco nos objetivos originais do yoga, a prática física quase sempre conduz a alterações importantes no corpo.

Logicamente, a expressão «corpo de yogin» não faz sentido. Dois mestres que, até onde se sabe, realizaram o yoga para si, Sri Dharma Mittra e Swami Satyananda, têm corpos evidentemente diferentes. O que quero dizer, aqui, é que, no que diz respeito a modificar o seu corpo, quase tudo aquilo que você quiser poderá ser obtido através do yoga.

Seria suficiente lembrar que um dos objetivos do Hatha Yoga é justamente construir vajra deha, isto é, o «corpo de diamante» — que, mais uma vez, nada tem a ver com fitness, embora assemelhe-se ao conceito ocidental de «entrar em forma».

3) Dormir bem, acordar melhor — No yoga você aprende técnicas de respiração e relaxamento que melhoram a qualidade de seu sono. Além de dormir bem, com o yoga você acorda com energia e tem um dia seguinte cada vez melhor.

Além do incremento na qualidade do sono, efeito associado a quase todas as disciplinas que incluem práticas físicas, técnicas como o savasana (postura do cadáver), alguns pranayamas e o yoganidra (também conhecido como «sono do yogin») têm a propriedade de conduzir o praticante a um relaxamento consciente e, portanto, de eliminar tensões físicas e emocionais que prejudicam o sono.

O simples fato de respirar melhor, adquirir maior domínio sobre o corpo e conseguir perceber alterações emocionais — três efeitos comumente relacionados à prática do yoga — beneficia o sono.

4) Ansiedade e stress, nunca mais — Mesmo que você viva num ritmo frenético, com o yoga você cultiva o silêncio interior, a tranqüilidade e a harmonia — em outras palavras, com o yoga você encontra paz genuína.

Yoga não significa tornar-se calminho — ou «zen», como algumas pessoas dizem –; significa estar consciente de todos os estados de seu corpo, de sua mente e de suas emoções. Em outras palavras, você pode se agitar, esbravejar, até mesmo irritar-se — não terá se desviado de sua disciplina de yogin se se manteve capaz de perceber tais alterações no ânimo ao ponto de discerni-las, cada uma delas.

Mas não é raro que tal disciplina de observação e discernimento conduza o indivíduo a uma consciência tal sobre as próprias emoções que elas se tornem incapazes de causar alterações genuínas nele — e, ao fim, também não é raro que essa disciplina torne a pessoa «zen» e calminha aos olhos de outrem. O que quero dizer é que a prática do yoga não implica a total eliminação do stress e da ansiedade; estas coisas podem continuar acontecendo — porque isso é parte da natureza humana, sobretudo nas últimas décadas –, mas o yoga permite ao praticante ter consciência sobre estes fenômenos ao ponto de não ser dominado por eles.

5) Vida longa, com qualidade — Todos querem uma vida longa, mas poucos querem envelhecer. Os Upanishads (escrituras sagradas do yoga) já diziam: «Não conhece doença, velhice nem sofrimento aquele que forja seu corpo no fogo do yoga».

A velhice é um dos grandes tabus modernos — tão grande que o termo «velhice» foi banido e substituído por eufemismos politicamente corretos como «terceira idade» ou «melhor idade». As últimas décadas divinizaram a juventude e a cultura ocidental acostumou-se com isso desde o Segundo Pós-Guerra. O ocidental não sabe envelhecer, tampouco reconhece na velhice os valores que ela possui.

O yoga é, neste sentido, um instrumento utilíssimo. Primeiro, por permitir que a idade venha sem expor o indivíduo a seus efeitos habituais. Como já indicava o Upanishad, o «corpo forjado pelo fogo yoga» resiste aos efeitos do tempo — e o mesmo vale para a mente. Segundo, à medida que se dissocia a idade avançada de atributos como decadência física e mental, torna-se possível envelhecer de forma mais saudável, digna e independente.

Embora o yoga tradicionalmente não tenha preocupações sociais, é fácil perceber a que tipo de transformações sociais a prática do yoga pode trazer — seja para os mais velhos, seja para os mais jovens, que um dia se tornarão velhos.

6) Ter força física e disposição — O yoga define o corpo, fortalece os músculos e reequilibra as principais funções do organismo — isto significa ter mais agilidade e vencer facilmente os desafios do dia-a-dia.

Este item explica-se por si mesmo. Poder usar o corpo à vontade não significa correr uma maratona ou erguer grandes pesos; significa apenas estar apto a usar o próprio corpo sempre, sem ajuda e sem acessórios. Há quem não consiga subir escadas e há quem tenha dificuldades para se acomodar num sofá ou numa cama. E há ainda os que sequer conseguem sair destes lugares.

Uma vez colocado em tal condição de decadência física, leva tempo e trabalho árduo para sair dela. O yoga ajuda neste processo, mas ajuda muito mais a manter o indivíduo longe desse estado, mantendo sua «máquina» em perfeito funcionamento. Caminhar e trabalhar com plena disposição e sem incômodos físicos é apenas um dos resultados das práticas do yoga.

7) Custo e benefício — É só fazer as contas: em média, um mês de aulas de yoga custa menos que uma consulta médica, uma sessão de terapia ou um fim de semana de balada — e no yoga os benefícios serão reais, maiores e duradouros.

Eis aqui uma questão de matemática simples. Uma consulta médica, que raramente dura mais de duas horas, pode custar algumas centenas de reais. Um mês de práticas de yoga raramente passa de uma centena.

O leitor poderá argumentar que uma consulta médica pode salvar uma vida, o que é verdade. Mas o yoga também pode, embora faça isso de forma mais sutil, menos dramática. Procuramos médicos quando estamos no limite, quando estamos doentes ou quando desconfiamos que algo não vai bem. O yoga pode curar o indivíduo, mas seu maior benefício está em ensiná-lo a prevenir-se de doenças e a colocar-se numa condição em que os males físicos e mentais não o atingirão. E mesmo quando uma doença o atinge, a duração, os sintomas e as seqüelas são significativamente menores. Quanto vale isto? Faça as contas e você notará que, pelos benefícios obtidos, o yoga continua sendo muito barato.

Desnecessário estender-me sobre comparações com outros gastos. Como citado antes, não é raro uma pessoa gastar num sábado de diversão um valor próximo ao que gastaria com um mês de aulas de yoga. A diferença importante é que em muitos casos um sábado de diversão trará ressaca e exigirá descanso absoluto durante todo o domingo seguinte.

8) Dedique-se a quem você mais ama — Reservar duas ou três horas semanais só para você não é egoísmo, mas generosidade: a cada dia você oferecerá às pessoas uma versão melhor de você mesmo.

Quando se negam a ligar-se a uma escola de yoga e a dedicar-se às práticas muitas pessoas argumentam que não têm tempo ou disciplina para essas coisas. É claro que as obrigações modernas reduzem o tempo disponível para os cuidados consigo mesmo. Limpar a casa, lavar louças, pagar contas, levar as crianças à escola e, enfim, trabalhar para ganhar o sustento são coisas que não podem esperar, são coisas que simplesmente não podem ser adiadas ou deslocadas em sua agenda.

Mas note o elemento comum a todas aquelas atividades: você mesmo. É você quem faz todas aquelas coisas e, portanto, é sua obrigação não apenas realizá-las, mas realizá-las bem e manter-se saudável, disposto e sereno para cada uma daquelas tarefas. As pessoas ao seu redor realmente esperam isso e, no fim das contas, você também espera estar sempre em sua melhor condição física, mental e emocional antes, durante e depois de realizar cada uma daquelas tarefas. De que jeito, se você não dedicou algum tempo para cuidar de si mesmo?

9) Você sabe o que é independência? — No yoga você aprende que sua saúde, seu bem-estar e sua tranqüilidade dependem mais de você mesmo do que de médicos, terapias e remédios.

Acostumamo-nos aos aditivos, aos acessórios, aos suplementos, às terapias e aos métodos milagrosos de cura e de desenvolvimento pessoal. O próprio yoga dobrou-se a isso sob a forma de inúmeros métodos, muitos dos quais dependem de acessórios, de lemas e de atitudes mentais bastante artificiais.

Patañjali, nos seus Yoga Sutras, coloca de forma simples os requisitos para a prática do yoga: «realiza-se o yoga através da disciplina e do desapego» (I:12). Sobre os asanas, encarados de formas tão mirabolantes por muitos professores de yoga, Patañjali diz brevemente: «a postura deve ser confortável e estável».

De forma análoga, a plena realização da condição humana é algo simples e dispensa complementos. Embora seja paradoxal afirmar que o indivíduo deve dedicar-se ao yoga para chegar a essa realização, para clarear as coisas é possível comparar o yoga à escada que se usa para subir a um ponto inatingível de outra forma: uma vez atingido aquele ponto, é desnecessário levar a escada consigo. De forma análoga, tudo o que o indivíduo precisa para realizar-se completamente ele já possui; neste sentido o yoga ajuda o indivíduo a despojar-se das coisas, idéias e desejos que tem acumulado ao longo de sua vida e ajuda a perceber sua própria natureza, isto é, a perceber-se como ser independente e autônomo.

10) Conhece-te a ti mesmo — Como dizia Lao Tzu: «Conhecer os outros é inteligência, conhecer a si próprio é sabedoria». Ou, como ensinava Nisargadatta, um dos grandes mestres do yoga no séc. XX: «Somos escravos do que não conhecemos; daquilo que conhecemos somos donos».

Lao Tzu e Nisargadatta, como tantos outros mestres, já disseram o essencial. Esta lição pode ser entendida de forma mais pragmática, à maneira de um outro mestre: Sun Tzu. O sábio chinês, autor de «A Arte da Guerra», ensinava que para ter êxito num combate é necessário conhecer o território, o oponente, os recursos disponíveis, os obstáculos e, mais do que isso, conhecer as próprias capacidades. O conhecimento — fruto do estudo, da prática, da experiência — é a base para o desenvolvimento. Da mesma forma, o autoconhecimento é a base para o desenvolvimento de si mesmo.

O yoga é um instrumento com o qual é possível levar adiante a pesquisa de si mesmo. Isto está expresso no termo svadhyaya, que é traduzido como auto-estudo ou auto-educação. Svadhyaya significa tornar-se o seu próprio laboratório, observar-se da forma como um cientista observa a natureza.

Não é difícil notar que sem esse conhecimento (mais exatamente, autoconhecimento) nenhum desenvolvimento genuíno é possível. O indivíduo pode até desenvolver-se física, mental e emocionalmente, mas não terá consciência ou controle desse processo, tampouco saberá prescindir dos recursos, métodos ou objetos que o fizeram desenvolver-se. Manter-se-á, assim, ligado a todas essas coisas e desligado de si mesmo.

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