Yoga, ópio do povo

Pisar nos alunos é tããão divertido...

O título traz em si uma afirmação com a qual eu não concordo em absoluto. Yoga não é droga ou alienação. Ocorre, no entanto, que o yoga tem sido colocado a serviço de demandas um pouco estranhas.

É natural praticar o yoga para alongar e fortalecer músculos, para curar dores de cotovelo ou para simplesmente aliviar o stress físico e mental. Não me agrada dizer que estas opções são «erradas», prefiro dizer apenas que elas não têm relação com aquilo que o yoga propõe.

Já dissertei algumas vezes sobre o que o yoga propõe verdadeiramente, por isso acho melhor colocar de forma mais breve e direta desta vez: o objetivo do yoga é unir o homem e Deus. Muito poderia ser dito sobre isso, a começar pelo fato de que essa desunião não existe e nunca existiu. Mas deixe assim por enquanto: o objetivo do yoga é unir o homem e Deus.

Se você quiser tomar isso sob o ponto de vista da prática moderna, de escolas, associações, métodos, sociedades etc., pense que o objetivo do yoga é realizar Deus na Terra. De forma análoga à colocada anteriormente, essa realização já está dada. Deus está presente aqui e agora, em mim, em você, nós é que temos o péssimo hábito de não O ver.

O que se faz hoje com o yoga equivale a apontar uma flecha para a água, em vez de lançá-la ao alvo bem à sua frente. Sob muitos aspectos pode ser divertido lançar flechas na água, mas não espere atingir o alvo dessa forma.

Tradição, verdade e mentira


Como assim?

Sarvangasana não significa “postura da vela”. Sarva significa tudo, todo; anga significa parte. Portanto, sarvangasana significa “postura da totalidade” ou “postura do corpo inteiro”.

Namaste não significa “o deus que está em mim saúda o deus que está em ti”. Namaste significa apenas “eu te saúdo”, trata-se de uma saudação bastante comum entre os indianos, embora mais formal e respeitável do que “oi” ou “olá”.

Estes são dois pequenos exemplos de erros que ganham ares de verdade sólida, inabalável e bacaninha. A tentativa de mostrar o erro contido nestes exemplos causa reações bem estranhas.

O uso de nomes errados para os asanas é assunto pequeno, embora se saiba que muitos nomes têm relação com a origem do asana (como matsyendrasana ou virabhadrasana) e/ou com sua própria composição anatômica (como padahastasana). Saber os nomes corretos dos asanas ajuda a compreendê-los melhor e ao compreendê-los melhor é possível executá-los melhor.

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Tradição e modernidade


Aos que estiveram aqui e apreciaram os textos da série O que é Hatha Yoga? (que continuará, aliás), recomendo fortemente a leitura do texto Modern Yoga versus Traditional Yoga, de Swami Jnaneshvara Bharati (uma tradução para o português pode ser lida aqui, mas a versão em inglês é ilustrada e mais organizada).

Trata-se de um texto em que, como o título sugere, o autor analisa e compara o yoga tradicional (isto é, presente nas escrituras e que era praticado séculos atrás) com o yoga moderno (ou contemporâneo), destacando a forma como este privilegiou as práticas físicas em detrimento de outras práticas que tradicionalmente fazem parte do yoga. É um texto longo mas muito interessante e esclarecedor.

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